terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Carlos Tomaz: Abertura do carnaval recifense sem maracatu: Retrocesso?

Carlos Tomaz é rede Afro LGBT MNU - Movimento Negro Unificado
Publicado em: 08/01/2018 07:38 Atualizado em: 08/01/2018 08:19 ( Diário de Pernambuco)



Pernambuco é um dos estados do Brasil que recebeu milhares de negros traficados do continente Africano no período colonial. Esse tráfico negreiro não só nos trouxe pessoas que, antes foram reis, e rainhas na sua terra, posteriormente transformados em escravos no Brasil, como também com elas veio muita cultura, muito saber.

Aqui nos portos de Pernambuco, boa parte do povo negro africano traficado pertencia à cultura yourubá, por isso as terras pernambucanas são consideradas “terras de nagôs”. É aqui em Pernambuco que essa tradição soa mais alto. Assim não é por acaso que nossos maracatus nos estrondos de seus tambores, e bombos batucam ao som de vozes femininas e masculinas a loa “nagô, nagô, nossa rainha já se coroou...” Quem no estado de Pernambuco não conhece essa loa? Qualquer pessoa recifense por mais desconhecimento que se tenha de cultura negra, sabe identificar que esse verso pertence ao Maracatu de baque virado.

Compreender essa História é necessário para se pensar até onde a importância, ou não, de se ter a abertura do carnaval recifense com o tradicional Encontro de Maracatus no Recife Antigo, Marco Zero. Durante mais de 14 anos presenciou-se a força, a beleza, o axé e a riqueza dos maracatus, com suas rainhas, reis, damas do passo e boneca de cera (calunga) elemento mais importante do maracatu, que protege e guia a grande corte como toda a festa.

Essa manifestação negra de origem africana abrilhantou a abertura do carnaval recifense por mais de 14 anos onde se tinha à frente o grande mestre Naná Vasconcelos como regente do grande coro de bombos, ganzás e abês. Essa abertura valorizando o que de mais antigo se há de manifestação cultural negra em Pernambuco, pois temos o Maracatu Leão Coroado com mais de 150 anos ininterruptos de atuação, não se resume a uma simples “brincadeira de carnaval”, mas é antes de tudo marca de resistência negra no estado de pernambuco, é política de igualdade racial, que talvez, para alguns, não se perceba assim.

Nesse sentido acordar com a notícia estampada nos jornais de que a abertura do carnaval de Recife perde essa riqueza cultural negra, é ao mesmo tempo perceber o retrocesso das políticas de igualdade racial no campo da cultura como também entender nas entrelinhas as estratégias de apagamento da luta do povo negro e das Comunidades tradicionais por igualdade de direitos e respeito às suas tradições, como bem preconiza o decreto nacional 6040/2007 Art. 10.

Reduzir os maracatus a um cortejo numa quinta pré carnavalesca é indiretamente devolver a cultura e a luta negra à cozinha da Casa Grande. É desconhecer ou ver com olhar menor a grande participação efetiva da construção de Pernambuco e do Brasil pelo povo negro escravizado no passado, é desmerecer a luta dos movimentos sociais negros do presente e suas contribuições na elaboração de legislações e decretos, nas diversas áreas como educação com a Lei Federal 10.639/2003, Segurança Pública PMPE, com o GT Racismo decreto nº 1.255/2009, o PCRI municipal, com o Decreto 24.301/ 2008, entre outras.

Matéria do: http://www.diariodepernambuco.com.br

sábado, 6 de janeiro de 2018

Documentário Sobre Estética e Cabelos Afros: Espelho, Espelho Meu!


"Através de depoimentos, o documentário "Espelho, espelho meu", produzido por Elton Martins, aborda representações afro-estéticas no período juvenil. Mães, crianças e adolescentes: todos falam um pouco de suas experiências com os seus cabelos e sobre suas escolhas pessoais. Além disso, o vídeo conta com a participação do historiador Antônio Cosme que norteia o tema ao destrinchar o processo de construção de identidade. 


O historiador fala, também, que a realidade é quase o oposto do que deveria ser. Ele explica as expressões identitárias atuais e as define como consequências da alteridade, da relação étnica-racial brasileira. 
Depoimentos de adultos (homens e mulheres), adolescentes e crianças são usados no documentário como confirmações do que fala o historiador. 



O vídeo tem logo na introdução uma mulher negra se produzindo em frente ao espelho, com música de fundo. Em seguida, Antônio Cosme abre o documentário com o primeiro depoimento. A fotografia faz jus a temática: apresenta pessoas que usam cabelo no estilo "black power" ou com trança enfeitadas, por exemplo, em contraponto a cultura reinante do cabelo liso. Músicas também são inclusas: algumas instrumentais e outras cujas letras coincidem com o assunto do doc."





Publicado em 25 de nov de 2013

Enviado em 28/10/2011
Por Adriele Moreno


domingo, 31 de dezembro de 2017

ABÁ





Por: Rosangela Nascimento

Acreditar, sempre que possível não desistir diante das dificuldades. Assim seguiremos otimistas, pois, sonhos não se realizam sem fracassos.
Estamos vivendo na era pós-golpe, instabilidade financeira, e nós que somos o povo Brasileiro estamos desacreditando e perdendo a capacidade de sonhar. 
Sentimentos de decepções podem matar ou afundar no ócio profundo, paralisando e impedindo de progredir.
Aprender a olhar para o futuro, sem ter medo, com segurança e firmeza é o que queremos a todo o momento. Nada de pausas para contar os centavos, e míseros reais na carteira.
Um tombo pode ser a melhor coisa na vida, já pensou nisso?
Então, pense!
Após um tombo, haverá continuamente um aprendizado e recomeço. A experiência adquirida ficará registrada, basta você parar, respirar fundo e seguir adiante.
Acredito que o bom da vida são as surpresas, elas criam infinitamente um cenário moderno, uma nova oportunidade. Nada se constrói sem destruição. Para um sentimento atual brotar, tem que existir espaço. Sugestão: Liberte-se!
Abá significa esperança, nome de origem afro brasileiro. É com ela que temos que nos apegar. Renovar nossos sonhos diários. Acreditar que é possível viver sem violência, seja ela de qualquer tipificação. E quando ela der sinal; que estejamos prontas, ou, prontos.
Estou agarrada na Abá, na possibilidade de bons sentimentos, de novas oportunidades e perseverança. E que nunca nos falte esperança!
Desejo do meu coração, que 2018 seja de muitas realizações positivas e que venham novas histórias, novos sorrisos, novas pessoas. E muitos afros abraços!

Ubuntu 

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Quatro décadas de Cadernos Negros!


                             Cadernos 40 está aí!
Fazer cada novo volume de Cadernos Negros significa encarar imensos desafios. 
E esses desafios têm sido vencidos graças a todos e todas que apoiam a série. 


Caso ainda não tenha o livro, ou caso tenha e queira presentear alguém, seguem aqui algumas opções para adquirir esta obra de contos que falam sobre o cotidiano dos afro-brasileiros de uma forma extremamente bem-elaborada. É um livro que fará o(a) leitor(a) refletir e se emocionar.
 
Você pode adquirir pelo pagseguro (o frete do correio será calculado de acordo com o número de exemplares):
Caso queira adquirir um só exemplar (com frete) você pode adquirir por meio de boleto (o envio ocorrerá após a compensação)
Ou ainda pelo paypal (também um só exemplar, com frete)
Aqui você pode ver algumas fotos do evento de lançamento (na aba discussão):

https://www.facebook.com/events/1112418678861305/




sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

28ª Noite do Cabelo Pixaim

" (...) Pelas ruas de Olinda vem pra mais de cem 
É a cultura que vem descendo a ladeira 
Despertou lá na Ribeira pelas forças de Xangô".

Arquivo do Afoxé Alafin Oyó


Por: Rosangela Nascimento
Pernambuco Afro Cultural /#Socializando

A Associação Recreativa Carnavalesca Afoxé Alafin Oyó, teve como princípio suas atividades no dia 02 de Março de 1986, no intuito de propagar e manter a gênese da cultura negra pernambucana. Ícone importantíssimo da cultura afro, destacando-se pela qualidade e riqueza de seu repertório, um dos cortejos mais populares durante o período carnavalesco na cidade de Olinda, anualmente arrastando multidões, em trajes vermelho e branco que cantam e dançam ao ritmo ijexá.

A Noite do Cabelo Pixaim

Gerada na década de 90, na cidade dormitória Olinda-PE, a Noite do Cabelo Pixaim surgiu no intuito de fortalecer a autoestima, quebrando os padrões de belezas estabelecidos por uma sociedade racista, assim fortalecendo a identidade e a valorização da estética do povo negro. 

Este ano a Noite será em um novo formato, contando com cortejos e apresentações de palco que irão sacudir os quatros cantos de  Olinda. Segue programação completa. 

Imperdível dia 02 de Dezembro 

Cortejos de Afoxés, com saída do Largo do Guadalupe rumo Mercado da Ribeira. 
(Concentração às 16:00/17:00 horas).

Afoxé Oxum Pandá;
Afoxé Ogbon Obá;
Afoxé Povo de Ogunté;
Afoxé Omô Obá Dê;
Afoxé Obá Iroko.
  
E tem mais, saca só!

Cortejo do Bloco Afro Ará Ylê (Samba Reggae), com saída da Fabrica do Carnaval, V8-Varadouro rumo ao Mercado da Ribeira. (Concentração 16:00/17:00 horas). 


Programação de Palco no Mercado da Ribeira ( A partir das 18:00 horas).


Grupo Bongar




Afoxé Oyá Tokolê Owó


Afoxé Alafin Oyó



Serviços:
Contatos (81) 98712-4516 Fabiano Santos
O quê?  28ª Noite do Cabelo Pixaim
Quando? Dia 02 de Dezembro de 2017
Onde? Mercado da Ribeira. 


quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Consciência negra ou Consciência humana?

Imagem Folha Uol
     
       Por: Rosangela Nascimento
Saudações Quilombolas!

Por que dia da consciência negra e não dia da consciência humana?
A resposta é simples e direta. Durante anos, séculos as pessoas não negras foram as únicas a serem consideradas humanas. Um pouco de calma e explicarei melhor o período da escravidão e o tráfico negreiro também conhecido como tráfico de almas. Assim tratando os negros como seres não humanizados, sem sentimentos e chegando ao estopim de seres considerados “bichos”.
A consciência humana pode ser aplicada a outro contexto, mas não ao dia da consciência negra, pois o racismo nega a nossa humanidade.
O dia da consciência negra é para refletir sobre os males causados pelo racismo, que ele mata, causa problemas e danos psicológicos colocando milhares de pessoas em situações de desigualdades, inferioridade e desumanas.
Partindo deste pressuposto, é consciência negra, porque só os negros e negras sabem como é sofrer deste mal que machuca e fere profundamente. [1] É a percepção imediata da própria experiência.
É consciência humana quando as pessoas não negras são solidárias participando de atos políticos que são contra o racismo, denunciando quando alguém sofre pelo racismo institucional no trabalho, escola, na universidade ou TV.
O dia da Consciência Negra teve seu início em Porto Alegre no Rio Grande do Sul, por meio de uma organização negra gerida pelo poeta Oliveira Silveira, na época em que 13 de maio nos conduzia para uma aceitação de conformidade que glorificava e enaltecia a Princesa Isabel. Assim, as lutas de resistências e bravuras dos escravizados eram minimizadas e esquecidas. Porém 20 de novembro de 1695 foi o dia em que Zumbi foi declarado morto. 20 de novembro é dia da imortalidade de Zumbi dos Palmares, trazendo para o cenário nossos heróis e heroínas.
Contudo, refletir é sempre oportuno e é com esse sentimento de releitura e trabalho de recuperação que vamos adiante denunciando e repelindo o racismo de nossas vidas. Pois ainda há tempo, irmãos; ainda há tempo, irmãs.
[1] Consciência, segundo Pasquale em Dicionário da Língua Portuguesa.

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

"Ouçam as vozes das mulheres negras para transformar a sociedade", alerta Werneck

Reconhecer as vozes das mulheres negras como centro do diálogo sobre uma nova sociedade e um novo Estado é urgente

Jurema Werneck é médica, diretora da Anistia Internacional e ativista sobre temas relacionados à raça, ao gênero e à orientação sexual / Ana Branco/Divulgação



“Elas não estão dizendo alguma coisa que vá trazer seus filhos assassinados de volta, elas já os perderam e perderam para sempre. O que elas estão trazendo é uma proposta de como o Estado pode ser diferente, como a polícia pode ser diferente, como a sociedade pode ser diferente. Ou seja, é uma proposta extremamente generosa”. A explicação é da ativista antirracista Jurema Werneck, que na sua trajetória de vida e luta acumula décadas de experiência e respeitabilidade, como integrante da ONG Criola, médica, doutora em Comunicação e Cultura e atualmente diretora da Anistia Internacional no Brasil.
A voz de Jurema tem repetido, em ações, falas, textos e formulações eloquentes, aquilo que o racismo invisibiliza: são as vozes das mesmas mulheres negras que estão no centro da resistência ao racismo patriarcal – por serem justamente as mais intensamente expostas às suas consequências violentas e violadoras – que devem ser ouvidas pelo muito que têm a ensinar para a construção de uma sociedade mais justa e menos violenta.
Suas reflexões vão ao encontro das reivindicações da Marcha das Mulheres Negras de São Paulo, que neste 25 de julho realizou o ato “Mulheres Negras e Indígenas por nós, por todas nós, pelo Bem Viver”. A manifestação aconteceu no Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha e também Dia Nacional de Tereza de Benguela – uma data que une as mulheres negras internacionalmente.
Confira o especial "Negra Soy!", produzido pelo Brasil de Fato :: https://goo.gl/3sBEyf
Jurema Werneck esteve em São Paulo em 18 de julho, para uma participação no 11º Encontro Anual do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. A entrevista foi concedida à Agência Patrícia Galvão após sua participação na conferência internacional realizada por Tracey Meares, professora de Direito na Universidade de Yale, nos Estados Unidos, e também mulher negra, que falou sobre o tema ‘Atuação policial, legitimidade e confiança nas polícias‘.
Tracey Meares destacou em sua fala como a atuação policial impacta não só na relação da sociedade com o Estado, mas possui também um poder ‘educativo’ que impacta na relação dos membros da sociedade entre si. Ou seja, uma polícia violenta alimenta relações sociais violentas. Ao interagir com a conferencista, Jurema Werneck trouxe quatro casos de jovens negros assassinados por agentes de forças policiais, que são acompanhados pela Anistia Internacional: Maicon de Souza Silva, 2 anos, morto em 1996 durante uma operação policial na favela de Acari, Rio de Janeiro; Gary Hopkins, morto aos 19 anos em 1999 pela polícia de Maryland, nos Estados Unidos; Fabrício dos Santos, filho de Gláucia dos Santos, assassinado aos 17 anos por autoridades policiais em um posto de gasolina em Guadalupe (Rio de Janeiro) na virada de 2013 para 2014; e Nakiea Jackson, morto em 2014 pela polícia de Kingston, capital da Jamaica.
“São quatro histórias de crianças e jovens negros mortos pela polícia, de familiares que se tornaram ativistas pelo fim da violência, pela punição dos assassinos e pela transformação da polícia. Nossa região, a americana, é extremamente violenta”, pontuou Jurema Werneck, ressaltando que as políticas públicas da região não atuam da mesma forma em relação à proteção da vida de brancos e negros. Nesse cenário, Jurema destaca que é preciso dar centralidade para a voz das mulheres negras, que muito têm a dizer para a construção de uma sociedade menos racista e violenta em um continente marcado pelo colonialismo, a escravidão e o seu nefasto legado: o racismo patriarcal.
Confira a entrevista:
Você disse durante a conferência que é preciso ouvir as vozes das mulheres negras, que elas têm muito a ensinar para uma polícia e um Estado mais humanizado. O que essas vozes estão repetindo que a sociedade não está ouvindo?
Primeiro, essas vozes estão falando bem alto que a polícia está matando meninos e meninas negros e negras nas favelas, nas periferias, em todos os lugares. Elas estão dizendo também que há um fenômeno escondido, ou pouco tratado pelo Estado, que é o racismo, o racismo patriarcal, que não apenas elimina os jovens e as jovens, mas também invisibiliza ou não ouve o que precisa ouvir das vozes das mulheres negras. Porque elas não estão dizendo alguma coisa que vá trazer seus filhos de volta, elas já os perderam e perderam para sempre. O que elas estão trazendo é uma proposta de como o Estado pode ser diferente, como a polícia pode ser diferente, como a sociedade pode ser diferente.
Ou seja, é uma proposta extremamente generosa, porque, como eu disse, o que elas já perderam não vão recuperar nunca mais, mas elas mostram que existe um caminho para além da vingança, tem um caminho que significa justiça, e fazer parte da justiça é dar centralidade a essas vozes, ouvir essas mulheres que são mulheres negras, que são em sua maioria mulheres de favela e da periferia, que têm uma proposta de um mundo diferente e que precisam ser ouvidas.
E qual é o papel das instituições no enfrentamento ao seu racismo institucional, que é quebrar de fato essa invisibilidade e se comprometer com essa pauta para além do discurso?
É fazer. Enfrentar o racismo institucional só se faz enfrentando. Primeiro, tem que reconhecer que o racismo está lá – em uma sociedade racista, um país racista, um continente racista, o racismo está lá. Então, é preciso enfrentar, e de diferentes formas. Reconhecer implica dizer que as autoridades, ou melhor, que a opinião institucional tem que ser abertamente e explicitamente colocada em favor do enfrentamento ao racismo. É preciso também criar mecanismos internos: diferentes setores, políticas e ações, diferentes formas de dialogar com a sociedade, informar e prestar contas do que está fazendo.
E, no caso das polícias, é preciso de fato interromper imediatamente esse confronto entre Estado e comunidade negra, em especial a população jovem negra. E, por fim, é preciso se juntar à luta que parte da sociedade já está fazendo. Os movimentos negros e os movimentos de mulheres negras, a população indígena, a população de favela já estão lutando. É preciso se juntar e não se opor a essas lutas. Tem que trazer essa inteligência, tem que trazer essas metodologias para dentro, para construir políticas que tenham mais a cara da população. Ou seja, tem que fazer muita coisa, mas é isso: tem que fazer.
E é importante respeitar esse protagonismo, certo?
Sim, com a mulher negra no centro, porque é a mulher negra que está fazendo esse movimento. Isso vale para o Brasil, a Jamaica, os Estados Unidos e vários países do continente: as mulheres negras estão fazendo. Então, é central, é fundamental e é urgente trazê-las para o diálogo e para informar as ações que as instituições têm que fazer.
Por fim, você comentou durante a conferência sobre a taxa de mortalidade da população negra e no Mapa da Violência 2015 vimos que também aumentou a morte violenta de mulheres negras – em 54%, enquanto a de brancas caiu 9,8% – mesmo com a Lei Maria da Penha em vigor no Brasil, que é considerada uma das mais avançadas do mundo. Esses números são reflexo do racismo estrutural e institucional no país?
Sim. O racismo está presente inclusive na Lei Maria da Penha, quando exclui o enfrentamento ao racismo dos seus mecanismos de proteção à vida das mulheres,  que, assim, está deixando de fora esse contingente de mulheres que segue sendo extremamente vulnerável, que segue sendo assassinado apesar da Lei, apesar de uma política pública que foi construída com todas as mulheres. A Lei Maria da Penha foi construída no debate com todas as mulheres, mas na reta final a política pública acabou não incorporando aquelas que estão mais expostas, não incorporando o enfrentamento ao racismo institucional. O processo de criação e de implementação da Lei Maria da Penha tem muito a ensinar, mas a primeira lição é que é preciso enfrentar o racismo.
Edição: Agência Patrícia Galvão