segunda-feira, 16 de abril de 2018

Morre Mestre Afonso, do Maracatu Leão Coroado

#Luto
#Socializando
Foto: Jornal local



Socializamos por meio deste que, Afonso Gomes de Aguiar Filho, ou, melhor dizer. Mestre Afonso do Leão Coroado, foi para o Orun na noite deste domingo (15), passou mal em uma festa dedicada ao Orixá feminino Oxum, foi conduzido à uma Unidade de Pronto Atendimento em Olinda/PE, e não resistiu e foi ao encontros dos seus ancestrais. 
Com seus 70 anos, liderou a nação mais antiga de Pernambuco, o Leão Coroado. Seguindo os passos e ensinamentos do seu Luiz de França. 

O velório será no Terreiro, na Estrada de Água Fria Olinda-PE, Terreiro São João Batista. 
Todos os Batuqueiros/as estão sendo convocados/as para participarem do Cortejo com saída marcada para as 15:00 horas, da Sede do Maracatu Leão Coroado. Que todos e todas estejam vestidos e vestidas de branco!  


quarta-feira, 28 de março de 2018

Mulheres de Wakanda!



Google Imagens

Por: Rosangela Nascimento

Em primeiro lugar, o Filme mais comentado de todos os tempos, para, o povo negro é com certeza o “Pantera Negra”. O super herói de quadrinho da Marvel, que narra a história do príncipe T’Challa, que já arrecadou mais de US$1 bilhão em bilheterias.

Ainda estou sobre o efeito do filme, não apenas pela boa qualidade do mesmo; e o conjunto da obra. Mas, pela força das mulheres negras ali deliberadamente exibida com glamour.

Posteriormente, ao que vi, e senti. Já estava totalmente envolvida, embriagada com aquelas mulheres “ficcionais”, empoderada e tão reais. E assim, fui buscando suas características. 

Uma Matriarca forte e sábia, disposta a tudo inclusive ver seu filho morrer por um ideal, pela manutenção de um reinado justo e igualitário.

Uma jovem, corajosa, critica e engajada socialmente, que desbrava o mundo e acredita que pode ajudar a melhorar a vida de outras pessoas, compartilhando a riqueza que se tem.

As que cuidam da erva coração, das flores azuis, das ervas que alimentam o espírito e a alma felina.

Uma líder, General com uma lança na mão, se movimenta como um raio de Iansã, que enfrenta um rinoceronte, o homem  amado pelo que acredita que é certo.

Um exército composto por outras mulheres/irmãs, de espíritos tão guerreiros que fizeram lembrar-me de Nzinga e Dandara dos Palmares.

Uma jovem atenta e conectada com o mundo, e o melhor que a tecnologia pode oferecer. Além disso, assume o compromisso em levar aos jovens negros seus conhecimentos.

Todas juntas, por único objetivo, proteger seu povo, seu país e seus tesouros naturais. Todas por Wakanda! 

Vale apena dizer, Wakanda é uma nação fictícia, utópica e afrofuturista. Aliás, é mais um sabor a ser acrescentado, nesta obra cinematográfica tão bela.  

Vejo todas estas mulheres, sempre, ao nosso entorno. Cada qual com seu fazer, ao seu tempo, momento. Mas, nunca sozinhas, ou, isoladas. Estarão sempre interligadas pela teia, o fio da vida que as unem pela luta contra a opressão contra mulher, preconceito e o racismo.

sábado, 27 de janeiro de 2018

Mãe Elda de Oxóssi

#Heroínas Anônimas



Se não for por amor não vai em frente. Eu não tenho casa, quem tem é o maracatu, eu tenho a comunidade dentro da minha casa, cuidando das coisas do maracatu. Quando eu vejo aquele batuque do maracatu na rua, chega a doer, eu choro de emoção. (Elda Viana)


 Elda Ivo Viana, mais conhecida como Mãe Elda de Oxóssi é Ialorixá e rainha do Maracatu Nação Porto Rico. Viúva por seis vezes, criou seus filhos e comprou seu barracão com a venda de frutos do mar na Praia do Pina, dando “aulas de reforço para crianças”. Hoje, Dona Elda promove diversas atividades culturais na comunidade. Diz ela que os vizinhos reclamam quando não há ensaios das agremiações, nem festa no seu barracão, pois todos se envolvem direta ou indiretamente: a vizinhança, seus filhos, noras, genros, outros parentes e filhos da religião.
  A Ialorixá declara que sua marca no maracatu foi a construção de uma grande sede erguida por ela, a qual funciona como residência e barracão, ocupando um quarteirão do bairro. No local são guardadas centenas de fantasias e adereços do maracatu e do Urso Zé da Pinga - agremiação fundada por ela, Edileuza (sua filha biológica e atual presidente da agremiação), entre outras pessoas. Destaca ainda que foi ela quem introduziu ricas vestimentas no maracatu e que seu filho Chacon “modificou a batida do baque virado”, diferenciando-o dos demais grupos recifenses. Dona Elda é a única Rainha de Maracatu viva, coroada ainda com as bênçãos da Igreja Católica. Aquelas que a precederam foram coradas em cerimônias realizadas dentro do Candomblé.


Fonte: 
SILVA, Claudilene
 Sem elas não haveria carnaval: mulheres do carnaval do Recife/ Claudilene Silva; Ester Monteiro de Souza. - Recife: Fundação de Cultura da Cidade do Recife, 2011. p.62.

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Dona Santa (Rainha do Maracatu Elefante)

#Heroínas Anônimas

Dona Santa 



Por:Lúcia Gaspar

Bibliotecária da Fundação Joaquim Nabuco


Maria Júlia do Nascimento, a Dona Santa, a mais conhecida rainha dosmaracatus recifenses, nasceu no dia 25 de março de 1877, no pátio de Santa Cruz, no Recife, Pernambuco.

Antes de ser rainha do Maracatu Elefante onde ficou famosa, Dona Santa ou Santinha participou de congadas (dança de origem africana), das troças carnavalescas Verdureira e Miçangueira, foi rainha do Maracatu Leão Coroado e fundou a Troça Carnavalesca Mista Rei dos Ciganos, que se transformou depois no Maracatu Porto Rico do Oriente.

Filha e neta de africanos, tinha no sangue o ritmo da zabumba e do "baque virado" do maracatu.


Quando era rainha do Leão Coroado, casou-se com João Vitorino, abdicando do trono depois que seu marido foi escolhido para reinar no Maracatu Elefante, fundado, segundo várias fontes, em 1800.

Dona Santa foi rainha do Maracatu Elefante durante dezesseis anos, período em que a agremiação teve seu maior destaque. Ao ficar viúva, assumiu sua direção, porém só foi coroada no dia 27 de fevereiro de 1947.

O Elefante se apresentava na segunda-feira de carnaval. Dona Santa desfilava com um vestido à moda européia do século XIX, feito de seda, veludo, cetim, bordado com lantejoulas, miçangas e fios dourados. Levava um espadim de metal com o qual abençoava seus “súditos”, além de cetro, coroa, capa de gola alta, sapatos de salto fino, brincos, anéis, pulseiras e broches. Suas cores preferidas eram o amarelo, azul, branco e verde.

Figura tradicional e muito respeitada, Dona Santa reinou durante muitos carnavais recifenses e foi tema de estudos de vários pesquisadores, como por exemplo a norte-americana Katarina Real.

Dona Santa faleceu no Recife, em 1962, aos 85 anos.

O Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais, atual Fundação Joaquim Nabuco, comemorou o centenário de nascimento de Dona Santa, em 1977, com uma mostra do seu rico acervo, doado à Instituição e que hoje se encontra no Museu do Homem do Nordeste.


FONTES CONSULTADAS:

BRITO, Ronaldo Correia de. A rainha sem coroa. Continente Multicultural, Recife, ano 3, n. 26, p. 76-77, fev. 2003.

DONA Santa, Rainha do Maracatu Elefante. In: O MUSEU do Homem do Nordeste. São Paulo: Banco Safra, 2000. p. Foto (neste texto) de Lula Cardoso Ayres, entre os anos de 1935 e 1940. Recife, Pernambuco (23x16cm).


OLIVEIRA, Gilka Corrêa de; SILVA, Maria Regina Martins Batista e. Exposição centenário de Dona Santa. Recife: IJNPS, 1977.


SILVA, Maria Regina M. Batista e. Dona Santa: rainha do Elefante. Recife: Fundaj, Inpso, Centro de Estudos Folclóricos, 1976. (Folclore, 2).

COMO CITAR ESTE TEXTO:

Fonte: GASPAR, Lúcia. Dona Santa (Rainha do Maracatu Elefante). Pesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: <http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/>. Acesso em:dia mês ano. Ex: 6 ago. 2009.

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Carlos Tomaz: Abertura do carnaval recifense sem maracatu: Retrocesso?

Carlos Tomaz é rede Afro LGBT MNU - Movimento Negro Unificado
Publicado em: 08/01/2018 07:38 Atualizado em: 08/01/2018 08:19 ( Diário de Pernambuco)



Pernambuco é um dos estados do Brasil que recebeu milhares de negros traficados do continente Africano no período colonial. Esse tráfico negreiro não só nos trouxe pessoas que, antes foram reis, e rainhas na sua terra, posteriormente transformados em escravos no Brasil, como também com elas veio muita cultura, muito saber.

Aqui nos portos de Pernambuco, boa parte do povo negro africano traficado pertencia à cultura yourubá, por isso as terras pernambucanas são consideradas “terras de nagôs”. É aqui em Pernambuco que essa tradição soa mais alto. Assim não é por acaso que nossos maracatus nos estrondos de seus tambores, e bombos batucam ao som de vozes femininas e masculinas a loa “nagô, nagô, nossa rainha já se coroou...” Quem no estado de Pernambuco não conhece essa loa? Qualquer pessoa recifense por mais desconhecimento que se tenha de cultura negra, sabe identificar que esse verso pertence ao Maracatu de baque virado.

Compreender essa História é necessário para se pensar até onde a importância, ou não, de se ter a abertura do carnaval recifense com o tradicional Encontro de Maracatus no Recife Antigo, Marco Zero. Durante mais de 14 anos presenciou-se a força, a beleza, o axé e a riqueza dos maracatus, com suas rainhas, reis, damas do passo e boneca de cera (calunga) elemento mais importante do maracatu, que protege e guia a grande corte como toda a festa.

Essa manifestação negra de origem africana abrilhantou a abertura do carnaval recifense por mais de 14 anos onde se tinha à frente o grande mestre Naná Vasconcelos como regente do grande coro de bombos, ganzás e abês. Essa abertura valorizando o que de mais antigo se há de manifestação cultural negra em Pernambuco, pois temos o Maracatu Leão Coroado com mais de 150 anos ininterruptos de atuação, não se resume a uma simples “brincadeira de carnaval”, mas é antes de tudo marca de resistência negra no estado de pernambuco, é política de igualdade racial, que talvez, para alguns, não se perceba assim.

Nesse sentido acordar com a notícia estampada nos jornais de que a abertura do carnaval de Recife perde essa riqueza cultural negra, é ao mesmo tempo perceber o retrocesso das políticas de igualdade racial no campo da cultura como também entender nas entrelinhas as estratégias de apagamento da luta do povo negro e das Comunidades tradicionais por igualdade de direitos e respeito às suas tradições, como bem preconiza o decreto nacional 6040/2007 Art. 10.

Reduzir os maracatus a um cortejo numa quinta pré carnavalesca é indiretamente devolver a cultura e a luta negra à cozinha da Casa Grande. É desconhecer ou ver com olhar menor a grande participação efetiva da construção de Pernambuco e do Brasil pelo povo negro escravizado no passado, é desmerecer a luta dos movimentos sociais negros do presente e suas contribuições na elaboração de legislações e decretos, nas diversas áreas como educação com a Lei Federal 10.639/2003, Segurança Pública PMPE, com o GT Racismo decreto nº 1.255/2009, o PCRI municipal, com o Decreto 24.301/ 2008, entre outras.

Matéria do: http://www.diariodepernambuco.com.br

sábado, 6 de janeiro de 2018

Documentário Sobre Estética e Cabelos Afros: Espelho, Espelho Meu!


"Através de depoimentos, o documentário "Espelho, espelho meu", produzido por Elton Martins, aborda representações afro-estéticas no período juvenil. Mães, crianças e adolescentes: todos falam um pouco de suas experiências com os seus cabelos e sobre suas escolhas pessoais. Além disso, o vídeo conta com a participação do historiador Antônio Cosme que norteia o tema ao destrinchar o processo de construção de identidade. 


O historiador fala, também, que a realidade é quase o oposto do que deveria ser. Ele explica as expressões identitárias atuais e as define como consequências da alteridade, da relação étnica-racial brasileira. 
Depoimentos de adultos (homens e mulheres), adolescentes e crianças são usados no documentário como confirmações do que fala o historiador. 



O vídeo tem logo na introdução uma mulher negra se produzindo em frente ao espelho, com música de fundo. Em seguida, Antônio Cosme abre o documentário com o primeiro depoimento. A fotografia faz jus a temática: apresenta pessoas que usam cabelo no estilo "black power" ou com trança enfeitadas, por exemplo, em contraponto a cultura reinante do cabelo liso. Músicas também são inclusas: algumas instrumentais e outras cujas letras coincidem com o assunto do doc."





Publicado em 25 de nov de 2013

Enviado em 28/10/2011
Por Adriele Moreno


domingo, 31 de dezembro de 2017

ABÁ





Por: Rosangela Nascimento

Acreditar, sempre que possível não desistir diante das dificuldades. Assim seguiremos otimistas, pois, sonhos não se realizam sem fracassos.
Estamos vivendo na era pós-golpe, instabilidade financeira, e nós que somos o povo Brasileiro estamos desacreditando e perdendo a capacidade de sonhar. 
Sentimentos de decepções podem matar ou afundar no ócio profundo, paralisando e impedindo de progredir.
Aprender a olhar para o futuro, sem ter medo, com segurança e firmeza é o que queremos a todo o momento. Nada de pausas para contar os centavos, e míseros reais na carteira.
Um tombo pode ser a melhor coisa na vida, já pensou nisso?
Então, pense!
Após um tombo, haverá continuamente um aprendizado e recomeço. A experiência adquirida ficará registrada, basta você parar, respirar fundo e seguir adiante.
Acredito que o bom da vida são as surpresas, elas criam infinitamente um cenário moderno, uma nova oportunidade. Nada se constrói sem destruição. Para um sentimento atual brotar, tem que existir espaço. Sugestão: Liberte-se!
Abá significa esperança, nome de origem afro brasileiro. É com ela que temos que nos apegar. Renovar nossos sonhos diários. Acreditar que é possível viver sem violência, seja ela de qualquer tipificação. E quando ela der sinal; que estejamos prontas, ou, prontos.
Estou agarrada na Abá, na possibilidade de bons sentimentos, de novas oportunidades e perseverança. E que nunca nos falte esperança!
Desejo do meu coração, que 2018 seja de muitas realizações positivas e que venham novas histórias, novos sorrisos, novas pessoas. E muitos afros abraços!

Ubuntu